“Se o governador deve ser afastado, por que não o ministro da Justiça?”, questionou Pierre Lourenço sobre 8 de Janeiro

Publicado em 12/01/2026
“Se o governador deve ser afastado, por que não o ministro da Justiça?”, questionou Pierre Lourenço sobre 8 de Janeiro
Em entrevista no jornal O Antagonista concedida em janeiro de 2023 sobre a situação das prisões dos manifestantes de 8 de Janeiro de 2023, o advogado Pierre Lourenço, diretor jurídico do Instituto Nacional de Advocacia (INAD), levantou uma questão central sobre a responsabilidade na segurança pública:

“Se o governador deve ser afastado, por que não o ministro da Justiça?”

A declaração foi dada durante uma rodada de entrevistas que teve a participação do governador Romeu Zema e o senador Marcos do Val, no qual Lourenço participou representando a advocacia e analisando as medidas adotadas após a depredação da Praça dos Três Poderes. Ele ressaltou que, enquanto o governador do Distrito Federal foi alvo de afastamento cautelar por suposta omissão na segurança local, o ministro da Justiça (Dino, atual ministro do STF) — que tinha sob sua guarda direta a coordenação federal das forças de segurança, incluindo a Força Nacional e a capacidade de convocação das Forças Armadas — não teve igual responsabilização, ainda que também possuísse instrumentos legais para atuar preventivamente.

O argumento central de Lourenço foi jurídico e político: se a omissão de um governante estadual pode justificar medidas como o afastamento cautelar para garantia da ordem pública, a mesma lógica deve ser aplicada à autoridade federal responsável pela segurança geral, sobretudo em um contexto em que havia sinais claros de risco e a prerrogativa de mobilizar as forças de segurança. Essa reflexão coloca em debate a necessidade de critérios uniformes para apuração de responsabilidades em situações de grave ameaça à ordem constitucional.

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